O Poder e os encantos da Monarquia britânica

04-05-2011 22:19


O poder (simbólico) e os encantos da monarquia .......britânica

 

O Reino Unido vive sob o regime monárquico há mais de 1.000 anos. E, embora a realeza já não possua mais do que um poder simbólico, as atribulações dos herdeiros contemporâneos e os noivados e casamentos reais continuam a atrair a atenção do público – não só dos britânicos, como em boa parte do mundo. Um exemplo disso é o mediatismo em torno do casamento do príncipe William com Kate Middleton, a noiva plebeia. A relevância da monarquia para a política britânica pode até ser colocada em discussão, mas a capacidade da realeza de promover festas e eventos memoráveis capazes de inverter os dados politicos nunca esteve em dúvida.

 

Um dos motivos que explica a longevidade da Monarquia em Inglaterra é justamente ter-se afastado das decisões políticas. Essa separação começou a ser moldada no século XIV, quando surgiram as duas Câmaras parlamentares, a dos comuns e a dos lordes. Mas o Rei manteve a supremacia até 1689. Naquele ano, durante uma grave crise de sucessão, uma lei definiu o Parlamento como autoridade máxima. O poder político foi gradativamente transferido para as mãos do povo, sem que fosse preciso decapitar ou matar o monarca, como fizeram os franceses no século XVIII e os portugueses em 1908. Actualmente, o monarca chefia o estado e (sempre) aprova a indicação do primeiro-ministro feita pela Câmara dos Comuns. Desde o fim do século XIX ficou acertado que o monarca tem três direitos – “o direito de ser consultado, o direito de aconselhar e o direito de advertir”.

Ter uma família real de alta visibilidade e ausência de Poder político efectivo , um sistema parlamentar complexo e sem qualquer Constituição escrita são peculiaridades nacionais únicas da Grã-Bretanha. Ainda que respeitosamente dispensada de quaisquer afazeres administrativos, todos os anos a rainha abre os trabalhos do Parlamento com a coroa na cabeça, pronunciando um discurso escrito não por ela, mas pelo primeiro ministro. Sem a política com que se ocupar, a realeza passou a se dedicar mais ao papel de referência social, principalmente a partir do celebrado reinado da rainha Vitória( o mais longo da história do país — de 1837 a 1901). No âmbito doméstico, Vitória se aproximou da população como modelo de conduta. Um modelo rígido, sem dúvida, mas com face humana.

 

No século XIX, o constitucionalista Walter Bagehot previu que o show da monarquia teria uma vida longa: “Quanto mais democráticos nos tornarmos, mais iremos apreciar a pompa e o espetáculo, que sempre agradaram ao vulgo”. Até aqui, a história tem provado a correcção da afirmação. Em setembro de 1969, 500 milhões de expectadores de todo o mundo assistiram à cerimônia em que Charles ganhou o título de príncipe de Gales, concedido aos primogênitos dos reis britânicos – o príncipe, aliás, segue na ingrata tarefa de aguardar a morte da mãe para tornar-se Rei. Em 1981, mais de 1 bilhão de pessoas assistiram ao suntuoso casamento entre o Príncipe Charles e Diana. As comemorações do Jubileu de Ouro da rainha Elizabeth II, em 2002, contaram até mesmo com a presença de Ozzy Osbourne. Também não faltou emoção – e audiência – no aniversário de 100 anos da rainha-mãe, Elizabeth I, em 2000, e no seu enterro, dois anos mais tarde.

Hoje, a realeza tem seu papel confinado a uma representação real de contos de fadas, nem sempre com finais felizes, visto os dramas do casamento entre o príncipe Charles e a princesa Diana. O conturbado fim do casamento e a morte trágica da princesa renovaram o interesse pelo trono, criando nos filhos de Diana novos modelos de comportamento. Tal interesse é reflexo de um dilema britânico. Ainda que muitos considerem a monarquia arcaica, os ingleses não aspiram a qualquer outra alternativa.Para a maioria a Monarquia é a representação adequada do Estado

 

A realeza está tão enraizada na estrutura política e social que eliminá-la da noite para o dia seria atentar contra a própria unidade nacional. Produzir assunto para os jornais sensacionalistas e dividir as afeições dos subditos talvez não sejam justificação suficiente para os 20 milhões de euros gastos anualmente em Inglaterra. Mas a existência de um monarca é vista por muitos como base da democracia do país.