Cavaco I, rei de todos os portugueses

19-07-2010 12:14

Após anos de lutas intestinas entre o "ramo dinástico soarista" e os liberais cavaquistas éis que Cavaco Silva lembra aos seus correlegionários que quem manda é "ele".Portugal em plena "monarquia republicana"

 Sobreviverá Portugal a mais esta "guerra civil"?

Pedro Passos Coelho sugeriu alterações à Constituição que passem por um reforço dos poderes do Presidente da República, mas Cavaco Silva, parco em comentários, lembrou apenas que há um artigo na Constituição que diz que é o Chefe do Estado que tem de assinar a revisão constitucional. Ora, se assina, tem de concordar - é isso que Cavaco quer sublinhar, dando assim a entender que não terá ficado muito convencido com a proposta do líder do PSD.

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Cavaco I

Em plena viagem para Luanda, onde ontem à noite iniciou uma visita de Estado (ver texto em baixo), ninguém conseguiu arrancar mais uma palavra que fosse sobre a polémica ideia de permitir que o Presidente demita o Governo sem ter de dissolver a Assembleia e convocar eleições.

Os jornalistas insistiram nas perguntas, mas Cavaco Silva sacou da ironia, que é o que costuma fazer quando quer evitar uma resposta: "Ouve-se muito mal no avião", gesticulou.

Quem se fez ouvir bem foi José Sócrates, que aproveitou o palco do encerramento do Congresso da JS (ver pág. 11) para atacar a proposta de revisão constitucional que o PSD colocou na agenda política, dizendo que serve apenas como "um estratagema constitucional para aumentar a instabilidade", acusou ontem o líder socialista, José Sócrates.

"Isso não é nenhuma proposta de futuro, bem pelo contrário é um regresso ao passado e é criar condições para promover circunstâncias de instabilidade política", afirmou o secretário-geral do PS.

Para que não ficassem dúvidas sobre o ataque, o líder socialista insistiu: "Isso nada tem a ver com o futuro, tem apenas a ver com os interesses mesquinhos e conjunturais de um partido cujo único pensamento é fazer o possível para definir um modelo constitucional que provoque ainda mais instabilidade e que dê agora mais possibilidades para haver instabilidade política no nosso país."

Não ficou também esquecido o apelo à saída de Sócrates do Governo, lançado no debate do estado da Nação pelo líder do CDS, Paulo Portas, estabelecendo uma ponte com a proposta social-democrata de revisão constitucional.

"O que eu verifico agora é que todas as semanas as lideranças políticas da direita se saem com mais uma proposta com vista a definir ou a propor de cima da mesa um novo método para criar uma crise política, um novo método para criar instabilidade, um novo método para, afinal de contas, eles chegarem ao poder", rematou