monárquicos de meio tostão furado

18-07-2010 03:53

Miguel Paes do Amaral, conhecido empresário dos mídia, que ninguém conhecia antes da TVI ter patrocinado toda a vasta gama de programas  culturais, tais como a Quinta das celebridades ou o Big Brother, que Paes do Amaral trouxe de terras de gentes mais intruidas que nós (portugueses).

monarquiaportuguesa.com,somosportugueses.com

Bisneto do Secretário d'El Rei D. Manuel II, 2º Conde de Alferrarede e herdeiro do título de Conde de Anadia, Miguel Paes do Amaral desdenha o tema quando se aborda a questão monárquica:

«Está ligado aos movimentos monárquicos em Portugal?

Não

Porquê?

[pausa] Porque não tenho tempo para me dedicar a actividades de natureza política, se é que lhe podemos chamar assim.

E interesse, tem?

Não me vai forçar a dar uma opinião sobre D. Duarte, pois não? [risos] Tenho grande respeito pela história e pelas instituições, e fica por ai.A questão de regime neste momento em portugal não se põe.

Concordaria que se fizesse um referendo à monarquia em Portugal?

Seria Mais prudente a quem propõe essas ideias fazer uma sondagem primeiro»

Revista Única do semanário Expresso de 16 de Julho de 2010

 

Mediante semelhante dissertação nada mais podemos acrescentar .Desde que a Monarquia findou em terras lusas que hordas maciças de pseudo-condes (título de Conde não se transmite por não estar juridicamente ligado á posse de terras, apesar da referência a cidades e terras que apenas reflectem o apelido do detentor do respectivo título) , descendentes (em énesimo grau na maior parte das vezes) de um qualquer ilustre e novos ricos com aspirações aristocráticas (em plena República, diga-se) se pavoneiam em torno da Casa Real, fosse SAR D. Duarte Nuno ou o actual Duque de Bragança como se a Monarquia existisse em espaços restritos e temporáriamente ,mediante a vontade daqueles que no fundo, tentam alugar a disponibilidade de SAR para aparecer na foto...no fundo a Causa Monárquica nem chega a ser "uma actividade de natureza politica", sendo mais uma actividade ao ar livre...algo entre um chá das 5 e um jogo de polo que com os devidos figurantes (todos vestidos ao estilo do sec XVIII) podia muito bem atrair turistas.

A Monarquia só é uma questão séria quando for eminente (fruto da incapacidade galopante dos republicanos) e não custar um cêntimo...até lá   adquirem-se "participações de Capital" (sob a forma de títulos) para o caso de ser necessário provar que para ser monárquico basta nascer de um

 

DEixa pasmado qualquer observador a mobilidade destas criaturas em nascerem e morrerem diariamente monárquicas ou republicanas consoante o interesse próprio .

Ao "respeito pelas instituições" (provavelmente semelhante aquele que Salazar nutria por D. Manuel ao ponto de nacionalizar os seus bens) junta-se um "preconceito anti-monárquico primário" (como muito bem referiu SAR D. Isabel de Herédia) que normalmente assume o corpo de SAR D. Duarte , bem condimentado com risos ou asneirolas ou referências próprias de quem não sabe distinguir um Rei de um "copo de três". Asserção esta ,sobre as "qualidades" do "pretendente ao trono", que possibilita imensas vias...como o Nobel Saramago, comunista assumido e ordinário encartado que soube receber o premio (que lhe deu carta branca para dizer tudo o que quisesse) ostentando uma grã-Cruz de uma Ordem do tempo da Idade Média, tal aristocrata redescoberto que depressa constatou que Portugal era "impróprio para consumo" trocando-o por uma ilha na Monarquica Espanha...citando Jose de Almeida (conhecido republicano ) "ser-se monárquico em França é outra coisa"!!!

Em clara frontalidade a Monarquia em plena palavra é a última coisa que estas criaturas querem ver em Portugal, tal como os adesivos do pós-1910 (tanto os aristocratas que se tornaram convictos republicanos como os republicanos revolucionários que mantiveram a possibilidade de transmissão de títulos na Constituição como se os morgadios nunca tivessem sido extintos ) a República açabarca tudo e todos ,confinando a vontade de fazer um "Portugal Melhor" numa feira de vaidades que apenas dura o tempo que a ignorância (condição essencial para ser bem sucedido em República)se permite a crescer. Não admira ao estrangeiro que Portugal tenha estagnado em 1910.

Um País (povo, bem dito!) que consegue transformar um Rei dedicado á ciência com prémios e reconhecimento internacional (D. Carlos) num gordo analfabeto e incapaz ou um reconhecido intelecto e bibliófilo (D. Manuel) num inberbe sem capacidade ou , iclusive, D. Duarte Pio numa injusta caricatura humana pode tudo...mesmo tudo, menos comparar-se ao resto do Ocidente instruido

Não admira que as referências maiores (com parcas e ilustres excepções) do Movimento Monárquico sejam pobres adrajos humanos, ora escorraçados, exilados, torturados ou esquecidos pelos seus contemporâneos. Findam a vida sem nada como Paiva Couceiro ou numa forma de miséria ,tangencial aos mais elevados padrões morais, como João Camossa... bastaria apenas a descrição de Fernando Amaro Monteiro sobre SAR D. Duarte Nuno (no Livro "Salazar e o Rei que não foi"), nos seus últimos anos, esquecido e abandonado por todos (tal era a festa que se avizinhava...mais uma revolução fadada a enriquecer rápidamente os audazes) para resumir o triste fado que tem sido o movimento monárquico.

Paes do Amaral compra os fatos em Milão (o próprio afirma com soberba) e vai correr para Le mans com motores de centenas de milhares de euros (que depois queima, tal brinquedo para adulto)... SAR vive em Portugal, promove há 3 décadas os produtos nacionais e corre este e o outro mundo para propagar a Lusofonia. Bem razão tem Baptista Bastos em menorizar a figura....é apenas mais um "condezinho" estrangeirado, um que certamente Eça de Queiros não deixaria incólume.

 

Não tenhamos qualquer ilusão.A Causa (para quem sabe o significado da palavra) é pobre e desprovida de meios humanos, contrastando vergonhosamente com os milhares que se dizem e ostentam "monárquicos" sem para esta contribuirem um fôlego.Se sobrevive é graças a SAR, que apesar do que muito se diz (mal) nunca desistiu ,não se vendeu a nenhuma ideologia nem se exilou durante a Revolução de Abril e aos poucos que teimando , os escassos que perduram o ideal,  não desistem jamais hipotecando o seu futuro em prol do futuro de algo maior.

 

Não fosse isso não seria a Causa Monárquica o mais longo movimento de resistência monárquica da Europa